Palestra: Menores que mini, menores que micro, eles são nano! 20 anos da descoberta dos fulerenos, novas formas de carbono.
Palestrante: Marcelo Hawrylak Herbst - Doutor Em Ciências (Química Inorgânica/IQ-UNICAMP) - Instituto De Física - UFRJ
Conheça as estruturas que são um bilionésimo de vezes menores que o milímetro!
Quando algo é muito pequeno, costumamos usar o termo 'míni' para nos referir a ele, não é mesmo? Há, porém, coisas tão pequenas para as quais o termo 'míni' não dá conta. Por exemplo: um micróbio ou uma célula do seu corpo, você não consegue ver a olho nu. Daí, dizermos que essas coisas são 'micro', ou melhor, microscópicas, simplesmente porque elas não poderiam ser vistas sem o uso de um microscópio. Pois há coisas descobertas recentemente pelos cientistas que são menores do que 'micro'. Estruturas tão pequenas que são chamadas de 'nano' e que só podem ser vistas com o auxílio de um aparelho muito mais sofisticado: o nanoscópio.
Pode ser que, no futuro, os cientistas construam, com essas estruturas, máquinas um bilhão de vezes menores que um grão de arroz e as façam circular pelo nosso corpo, para entender ainda melhor o funcionamento de nossas células e auxiliar na cura de doenças. É claro que essa história tem o maior jeito de filme de ficção científica, mas estruturas que são um bilionésimo de vezes menores que o milímetro já estão sendo estudadas! Elas têm nomes engraçados, como fulerenos e nanotubos. Você gostaria de conhecê-las?
Antes de atravessarmos a fronteira para o mundo nanoscópico, é importante saber do que são feitas essas estruturas tão pequenas que estão desafiando a ciência... Pois são feitas de carbono! Este elemento existe na natureza na forma de dois velhos conhecidos nossos: o grafite e o diamante. O grafite é esse mesmo que você está imaginando: o do lápis. Ele é considerado a forma mais macia do carbono. Já o diamante é muito duro, sendo usado para riscar e cortar materiais como o vidro e também na fabricação de jóias.
Até 1985, as únicas formas conhecidas do carbono eram estas duas: grafite e diamante. Naquele ano, um grupo de cientistas que estava de olho no espaço pesquisando estrelas vermelhas -- um tipo formado essencialmente por carbono -- descobriu que os átomos de carbono podiam se organizar de uma maneira diferente, que não resultava nem no grafite nem no diamante. Essas novas formas de carbono foram chamadas fulerenos.
Em 1991, pesquisadores observaram diminutos filamentos de carbono, que foram chamados de nanotubos de carbono, devido às suas dimensões. A descoberta desses novos materiais significou o início de uma nova era do carbono, e as pesquisas têm avançado rapidamente na direção das aplicações.