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  • Palestra: Barbeiros, os transmissores da doença de Chagas.

    Palestrante: Dayse da Silva Rocha - Doutora - Fundação Oswaldo Cruz

    Os “Barbeiros” - Os “barbeiros” são insetos da subfamília Triatominae, um grupo de insetos hemípteros caracterizados pelo hábito hematofágico. Os triatomíneos têm grande importância médica, porque são os responsáveis pela transmissão do Trypanosoma cruzi, o protozoário causador da doença de Chagas. Os triatomíneos são conhecidos popularmente como barbeiros, pelo fato de picarem, geralmente à noite, o rosto das pessoas adormecidas.

    Habitats - A grande maioria das espécies de triatomíneos é silvestre; vivem em ninhos de aves, tocas de animais, sob cascas ou ocos de árvores, em bromélias, palmeiras, e outros ecótopos, onde se alimentam dos mais variados animais. Algumas espécies, porém, no decurso da evolução, adquiriram a capacidade de colonizar as estruturas artificiais construídas pelo homem nas proximidades de suas casas, como galinheiros, pocilgas e estábulos e são denominadas peridomiciliadas. Outras são capazes de viver nas casas rústicas do homem do campo e são denominadas domiciliadas.

    Biologia - Os ovos possuem uma abertura chamada opérculo por onde saem as formas jovens. São de coloração branca a rosada tornando-se mais escuros à medida que o embrião se desenvolve. As formas jovens, chamadas de ninfas, quando recém emergidas apresentam uma coloração rosada que escurece com o endurecimento da nova cutícula. À medida que se desenvolvem, as ninfas precisam renovar seu revestimento externo através de mudas, chamadas de ecdises. Após cada ecdise, o inseto surge maior e com a coloração rosada, regressando pouco a pouco, ao colorido próprio de cada espécie. O ciclo de ovo a adulto, dura em média de seis meses a um ano.

    O Trypanosoma cruzi e a doença de Chagas - O parasito causador da doença é um protozoário microscópico, tem cerca de 20 milésimos de milímetro de comprimento, possui o corpo alongado provido de uma membrana ondulante que permite sua movimentação na corrente sanguínea, ele foi chamado por Carlos Chagas, seu descobridor, de Trypanosoma cruzi em homenagem a Oswaldo Cruz. Durante mais de um século, desde a primeira descrição, os triatomíneos foram estudados apenas de um ponto de vista meramente descritivo, porém, a partir de 1909, com a descoberta da doença de Chagas, iniciaram-se estudos sobre a forma clínica da doença, sobre o protozoário e seus hospedeiros vertebrados e sobre a biologia e mecanismos de transmissão dos vetores. A doença de Chagas ou tripanossomíase americana é uma doença endêmica predominantemente rural e um grave problema de saúde pública na América Latina. Estimativas da OMS indicam que 18 milhões de pessoas estão infectadas, e outras 100 milhões, estão vivendo em áreas de risco.

    Ao contrário de outras doenças transmitidas por insetos hematófagos, a infecção não se dá pela saliva do inseto. O barbeiro, ao picar, defeca durante ou logo após a sucção, eliminando formas infectantes do parasito nas fezes. Essas formas podem penetrar ativamente pelo orifício da picada, pelas mucosas ou por meio de pequenas feridas e escoriações na pele. A transmissão vetorial é a via mais importante de transmissão, porém, ela pode ocorrer também por via transfusional, por via transplacentária, através de transplantes de órgãos, por ingestão acidental dos barbeiros, ou alimentos contaminados por suas fezes, por acidentes de laboratório ou ainda pela manipulação inadequada de carcaças de animais infectados.

    Controle - No Brasil, as ações de controle centradas no tratamento químico e pesquisa de triatomíneos nos domicílios, foram implantadas em todo o território nacional a partir de 1975. Em 1991 o Brasil integrou-se à iniciativa do Cone Sul visando eliminar as populações domésticas do Triatoma infestans, o principal vetor da doença nos países do Cone Sul das Américas, e reduzir a transmissão através da transfusão sangüínea. Em 2000, o Brasil recebeu um certificado atestando o controle dessa espécie em seis estados. A partir de então, a atenção das autoridades sanitárias voltou-se para a vigilância entomológica das diversas outras espécies que ocorrem no peridomicílio e apresentam potencial de domiciliação. De fato, nos últimos anos há um incremento dos registros de espécies silvestres e/ou peridomiciliares invadindo as habitações humanas, tanto no Brasil quanto nos países vizinhos, mostrando que é preciso continuar a combater esses vetores, uma vez que não há vacina e não se conhece a cura da doença de Chagas.





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