Palestra: A Inquisição Portuguesa
Palestrante: Célia Cristina da Silva Tavares - Doutora - Faculdade De Formação De Professores - São Gonçalo/UERJ
Em Portugal, a Inquisição foi instaurada pela bula de 23 de maio de 1536, concedida pelo papa Paulo III. Esta é considerada a data do estabelecimento do tribunal do Santo Ofício português, mas é importante lembrar que ela foi apenas uma etapa decisiva em meio às tensas negociações entre o papado e o rei D. João III, que se arrastavam desde 1531 e prolongar-se-iam até 1547. Essa tardança decorreu das grandes pressões exercidas por parte dos procuradores dos cristãos-novos em Roma, que utilizaram toda sorte de expedientes para impedir a fundação do tribunal, inclusive corrompendo, até onde foi possível, membros da cúria.
Ainda assim, entre 1541 e 1565 foram instalados quatro tribunais da Inquisição nos domínios portugueses: Évora, cuja jurisdição circunscrevia-se à província do Alentejo e ao reino de Algarve; Lisboa, que atuava na província da Estremadura e parte da Beira, além de todas as conquistas até o cabo da Boa Esperança, incluindo o Brasil; Coimbra, que cuidava das províncias de Entre Douro e Minho, de Trás-os-Montes e a parte restante da Beira; e Goa, responsável pelos domínios portugueses além do cabo da Boa Esperança até as possessões mais orientais, tal como Macau, por exemplo - ou seja, os limites do Estado da Índia.
A proposta dessa palestra é discutir a ação da Inquisição portuguesa no Brasil no período colonial para combater alguns mitos difundidos pelos meios de comunicação que comprometem uma visão equilibrada sobre essa importante instituição do Império português.