Palestra: Sabores e saberes nos sons da língua
Palestrante: Darcilia Marindir Pinto Simões - Doutora em Letras Vernáculas - UERJ
O presente projeto nasceu da análise das dificuldades manifestadas na produção escrita de estudantes da alfabetização à graduação e tem por meta demonstrar a importância do conhecimento dos sons da língua e da fala como recursos de expressividade e eficiência comunicativa.
Analisando detidamente a fonologia do Português do Brasil vimos tentando descobrir origens para as dificuldades materializadas na fala e refletidas na escrita de nossos alunos. Utilizando textos escritos pelos estudantes e alguns materiais levantados (pelos próprios alunos) diretamente com fins de pesquisa como objeto observável, chegamos à conclusão de que nosso trabalho teria por meta não a descrição ou classificação de sons, mas a sugestão de estratégias dirigidas ao ensino-aprendizagem da língua portuguesa, com ênfase na cama da fônica.
Analisando detidamente a fonologia do Português do Brasil vimos tentando descobrir origens para as dificuldades materializadas na fala e refletidas na escrita de nossos alunos. Utilizando textos escritos pelos estudantes e alguns materiais levantados (pelos próprios alunos) diretamente com fins de pesquisa como objeto observável, chegamos à conclusão de que nosso trabalho teria por meta não a descrição ou classificação de sons, mas a sugestão de estratégias dirigidas ao ensino-aprendizagem da língua portuguesa, com ênfase na cama da fônica.
Portanto, a intenção fundamental deste estudo é rediscutir a atuação docente quando diante de problemas de natureza fônico-gráfica, observando que o raciocínio lingüístico do usuário (estudante ou não), via de regra, constrói-se sobre paradigmas nem sempre conformes com o modelo empregado na normatização dos empregos lingüísticos (ortografia, gramática normativa, etc.); e que a lógica desenvolvida por esses falantes acaba por viabilizar a construção de hipóteses teóricas, por meio das quais torna-se possível uma nova reflexão sobre os padrões gramaticais e ortográficos vigentes em busca de uma harmonização entre os postulados lingüísticos, o uso efetivo, o compromisso da comunicação e o processo de ensino-aprendizagem do vernáculo.
Buscamos então criar esquemas facilitadores do entendimento dos mecanismos da língua, com vistas a gerar prazer no contato com a informação lingüística (as aulas de português não precisam ser enfadonhas), estimular o gosto pela prática consciente na produção textual (construção de enunciados mediante seleção e combinação cuidadosa, em busca da melhor expressão) e a compreensão dos mecanismos da língua como estratégias de manifestação do pensamento que, no registro padrão, carecem de normatização em benefício da mais ampla comunicabilidade. Em outras palavras, demonstrar a possibilidade de um ensino pragmático (sem excessos) no qual a clientela se integre não por coerção externa, mas por desejo, por motivação interna, por necessidade de melhorar a qualidade de seu desempenho lingüístico em prol de uma participação social mais ampla e significativa. Afinal, a língua tem sons que se tornam sabores quando se é capaz de saborear seus saberes.