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  • Palestra: Cinema para aprender e desaprender

    Palestrante: Adriana Mabel Fresquet - Doutora em Psicopedagogia - UERJ

    Que possibilidades de aprendizagens se abrem a partir do encontro do cinema com os jovens? O cinema permite ler o mundo. Vários mundos talvez, ou, em outras palavras, várias culturas. Ler e reler o mundo nos faz pensar nas possibilidades educativas do cinema. Aprender do cinema não quer dizer que o cinema venha a se adequar a nossos objetivos escolares. O que fazemos do cinema, então, senão minimiza-lo na sua categoria de sétima arte? O cinema é arte. Uma arte que reúne em si múltiplas artes. Supõe fotografia, composição de imagens e sons, cenografia, iluminação, literatura, música, dramatização, desenho ou animação, para começar. Trata-se de uma expressão de arte coletiva e reproduzível. Tem condições para ser uma arte de uma grande acessibilidade se pensamos, inclusive, na possibilidade de que copias de filmes cheguem aos lugares mais distantes das grandes metrópoles, tais como as zonas rurais, o sertão nordestino, etc.

    O cinema não é um instrumento didático para ensinar tal e qual conteúdo, ele extrapola planos, objetivos e procedimentos escolares. As possibilidades educativas do cinema guardam uma relação maior com formas de aprendizagem não formal. O cinema nos permite aprender e desaprender. Desaprender algumas verdades que aprendemos sem questionar, sem pensar por nós mesmos. Desaprender é algo mais que aprender coisas opostas sobre um mesmo tema, assunto, valor, questão da vida. Desaprender pode até indicar, erradamente, a idéia de olvidar o aprendido. Porém, o seu significado e intenção é exatamente o contrário. Tal é a força da irreversibilidade da aprendizagem que desaprender significa fundamentalmente “lembrar” as coisas aprendidas que querem ser desaprendidas. Lembrar pode querer dizer “busca-las”, “descobri-las” nos arquivos da nossa memória. Desaprender é aprender a não quere-las mais para si; a não outorgar-lhes mais o estatuto de verdade, de sentido ou de interesse. Verdade aprendida com outros desde sempre, cobra valor de inquestionável.

    O cinema na escola abre janelas para o humor, para a aventura, para sacudir diferentes tipos de sentimentos (alegria, medo, raiva). Abordar os sentimentos é ainda uma dívida da escola para com a educação dos jovens. Será que o cinema não poderia contribuir nesse sentido?

    Jovens olhando cinema e o cinema olhando para eles. O cinema se coloca a dispor para legitimar um novo lugar para a juventude, uma juventude que não apenas aprende, mas que tem muitas coisas para ensinar, uma cultura para construir, uma historia da qual faz parte. Um cinema que pode ser pensado como uma outra forma de quadro preto, no qual não apenas adultos sabem e ensinam. Um cinema que pode enxergar o mundo, aliás, ler e reler o mundo com o olhar dos jovens.





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