Palestra: As relações entre política, educação e filosofia
Palestrante: Walter Omar Kohan - Doutor Em Filosofia - UERJ
Sócrates é uma figura emblemática no discurso pedagógico, recuperada por diversas tradições e marcos teóricos. Sua figura geralmente está associada à maiêutica, a um ensino não diretivo, ao perguntar desinteressado. Os professores de ensino médio, sobre tudo os de filosofia, gostam de ser chamados de socráticos. Isso seria ser um professor dialógico, não diretivo, que faz parir os conhecimentos do seu aluno.
Neste trabalho nos propomos problematizar esta visão. Defenderemos, como tese, que Sócrates quer transmitir saberes, atitudes e capacidades quando conversa com jovens e velhos na praça pública, nos ginásios ou em qualquer espaço particular. Afirmamos que Sócrates tem algo muito específico para ensinar, algo da ordem da filosofia e da política.
Mais do que isso, ele afirma de uma forma específica e fundante para a filosofia da educação no Ocidente uma certa compreensão da dimensão educacional da filosofia, bem como das implicações políticas desta tarefa.
Para desenvolver nosso trabalho, em primeiro lugar, nos referiremos ao enigma socrático. A decisão socrática de não deixar testemunho escrito impõe alguns esclarecimentos sobre a forma de lidar com aqueles que o escreveram.
A seguir, destacaremos a maneira em que Sócrates concebe sua prática de ensino, sua máscara de educador.
Em seguida, ressaltaremos as características e o sentido vivo de um perguntar que marcou, para sempre, o filosofar no Ocidente; veremos em que medida Sócrates inaugura não somente uma forma de entender o ensino de filosofia, mas também um modo de afirmar as relações entre filosofia e política.
Finalmente, tiraremos algumas conclusões desta imagem de Sócrates acerca das relações entre educação, filosofia e política na realidade brasileira de hoje.