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[ PROJETOS ] - SBPC vai à escola |
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Palestras oferecidas
Sociologia, Filosofia, Psicologia, Pedagogia, Educação e Sociedade
- Palestra: "Ficar Com", Ficar "Ficando" E Namorar
Palestrante: Jacqueline Cavalcanti Chaves - Doutora em Psicologia (UFRJ), Pesquisadora Do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Intercâmbio Para A Infância E Adolescência Contemporâneas (NIPIAC) - UFRJ/Universidade Estácio de Sá
O objetivo desta palestra é apresentar aos alunos de ensino médio, e aos professores interessados, os resultados de uma pesquisa sobre os relacionamentos amorosos juvenis da atualidade. Esta pesquisa tem como suporte o estudo de diversos trabalhos da Psicologia, da Sociologia, da Antropologia, da Filosofia e da História relacionados ao tema, e a análise de entrevistas realizadas com jovens cariocas. A partir desta pesquisa, pode-se dizer que "ficar com", ficar "ficando" e namorar são práticas afetivo-sexuais características, principalmente, dos jovens contemporâneos. Estas formas de relacionamento podem ser vividas como diferentes etapas de uma relação amorosa, ou seja, primeiro os jovens "ficam", depois vão "ficando" (ficar "ficando") e, por fim, namoram. Embora estas formas possam ser experimentadas como diferentes etapas do relacionamento, os jovens não se sentem obrigados a seguir esta seqüência. Isto quer dizer que dois jovens podem "ficar" durante uma noite e depois não se encontrarem novamente. Esta relação instantânea é possibilitada pelos princípios do "ficar com", dentre os quais o não compromisso com o outro e a busca do prazer próprio. A decisão de "ficar com" alguém pode depender do interesse do jovem em encontrar um namorado ou da insistência dos amigos ou do nível de carência. As passagens do "ficar com" para o ficar "ficando" e deste para o namoro são decididas e reguladas pelos próprios indivíduos. Cada uma destas formas relacionais expressa diferentes níveis de compromisso com o outro, bem como de interesse, de disponibilidade e de satisfação. Em grande parte das vezes, a satisfação obtida em uma "ficada" é mais física, superficial, enquanto no namoro há também uma satisfação provocada pelo envolvimento amoroso que aí é visto como importante. Na atualidade, a valorização dos interesses, da satisfação, e da liberdade individual – entendida como viver como bem quiser e ser livre para transitar, e ter opções e ser livre para escolher –, contribuem para que haja uma flexibilização e uma individualização das regras que regulamentam o relacionamento amoroso. Apesar desta mudança ser provocada, em parte, pelos próprios jovens, ela cria um ambiente instável, pouco ou nada previsível, o qual faz com que muitos deles se sintam inseguros. Para alguns, esta insegurança torna mais difícil confiar no outro, sentir a segurança íntima de que este outro se preocupa com eles e lhes dará apoio quando necessário.
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